terça-feira, 7 de abril de 2015

Audiência pública avalia situação da Uergs e define criação de Frente Parlamentar 
Celso Luiz Bender - MTE 5771 | Agência de Notícias - 19:40-06/04/2015 - Edição: Sheyla Scardoelli - MTE 6727 - Foto: Stephanie Gomes
Audiência discutiu formas de fortalecer a instituição
Alunos, professores e servidores da UERGS (Universidade Estadual do Rio Grande do Sul) lotaram o plenarinho da Assembleia Legislativa, na tarde dessa segunda-feira (6), durante audiência pública da Comissão de Educação solicitada pela deputada Manuela D Ávila (PCdoB).
 
O objetivo da reunião presidida pelo deputado Adão Villaverde (PT), segundo a proponente, foi o de “coletarmos posicionamentos quanto ao momento da instituição, uma vez que informações que obtive, acerca das caravanas do governo do Estado sobre a situação financeira, mostram disposição no fechamento de instituições (ou sua privatização) ou cortes em investimentos. É nosso dever fiscalizar as ações do governador Sartori em relação à UERGS”, acrescentou.
 
Recordou que propôs a audiência logo nos primeiros dias da atual Legislatura. “Entendo que o momento requer esta discussão. Falta clareza com relação às medidas que serão tomadas, e isso não serve a quem quer que seja. A maioria dos gaúchos veem na universidade estadual uma das principais alternativas para a consolidação do ensino superior público, contribuindo para o desenvolvimento regional. A UERGS é capilarizada e descentralizada, exatamente para que haja pujança em todos as partes do Estado”.
 
Para Manuela D Ávila, “deveríamos estar discutindo o fortalecimento orçamentário da instituição e outras necessidades, enfim, tratando do seu futuro. Mas notícias sobre as medidas da atual administração gaúcha nos levaram a este outro debate. Espero que não sejam verídicas as informações que indicam um corte entre R$ 11 e 12 milhões no orçamento da universidade, ou R$ 1 milhão por mês, o que seria desastroso”.
 
Frente parlamentar
Após as manifestações de representantes do governo do Estado, de parlamentares e de representantes da universidade, foi aprovada a criação de uma Frente Parlamentar em Defesa da UERGS, proposta pelo deputado Juliano Roso (PCdoB). Segundo ele, o grupo de trabalho, a ser formado em até 30 dias, terá a presença – além dos deputados - de professores, alunos e servidores da instituição, de cada uma das 24 unidades. “Também vamos visitar estas unidades, levando o debate sobre o momento da UERGS”, ressaltou, observando que sua autonomia financeira e administrativa é outro grande desejo da comunidade acadêmica. Por sugestão do deputado federal João Derly (PCdoB), presente à reunião, a Frente Parlamentar poderá ser mista, com representantes da bancada federal gaúcha.
 
Fortalecimento da entidade
Ao se manifestar, a reitora universidade, Ariza Araújo da Luz, recordou a trajetória da UERGS, destacando sua criação, por unanimidade, em 10 de junho de 2001, apontando seus objetivos e finalidades. “Os debates em relação à UERGS, como este, são sempre importantes para o fortalecimento e futuro da entidade. É gratificante ver aqui neste local este número tão grande de integrantes da universidade, das suas sete diretorias regionais e 24 unidades de atuação”. Comunicou decisão do governador do Estado, José Ivo Sartori, em sancionar a contratação de 15 novos servidores para a instituição - “mesmo em meio à crise financeira” -, entre professores e colaboradores, o que foi muito festejado pelos presentes. “A UERGS é universidade estadual e todos nós vamos continuar trabalhando, com afinco, pelo seu fortalecimento”, acrescentando ser importante a manutenção do seu orçamento integral.
 
Presente à reunião, o presidente do Parlamento, deputado Edson Brum (PMDB), recordou que a defesa de uma universidade pública e estadual foi iniciada pelo ex-deputado Erani Muller (PMDB), continuada depois pelo deputado Beto Albuquerque (PSB), “que assumiu esta bandeira”. Citou que a universidade já passou por vários governos desde sua criação, com os mais diferentes partidos políticos, "e nunca foi fechada". Deixou um conceito para reflexão: "recursos alocados para a educação não são despesa e sim investimento”, recordando ser autor da lei, junto com o ex-deputado Raul Carrion (PCdoB), da meia-entrada para estudantes no Rio Grande do Sul.
 
Disse ter a convicção de que a “UERGS deve continuar não só existindo como se fortalecendo, adaptando-se a novos tempos, com criação de cursos de acordo com as necessidades de cada região, geradoras de empregos locais. São reivindicações das comunidades para melhor aproveitamento dos profissionais que saem da universidade”, ponderou, colocando a Casa sempre à disposição naquilo que for de importante para aq universidade estadual.
 
A deputada Zilá Breitenbach (PSDB) seguiu em uma linha similar. “Não tenho preocupação em relação ao fechamento da UERGS. Isso não ocorrerá, mas é preciso que a instituição crie alternativas, que não existem agora, quanto a cursos de acordod com as necessidades regionais, evitando que classificou de duplicidade de cursos. “Evidente que dificuldades financeiras existem, mas não ouvi do governador Sartori, na interiorização por Ijuí, qualquer menção de fechamento da entidade. Ao contrário, destacou sua importância na cadeia de desenvolvimento do Estado”.
 
Presidente do Conselho Estadual de Educação, Cecília Farias alertou sobre uma discussão “séria envolvendo a UERGS. O Conselho tem acompanhado a universidade desde a sua fundação. Até entendo que não seria preciso formar comissões pela manutenção da instituição, mas entendemos não ser possível oferecer aqos jovens do Rio Grande do Sul uma universidade estadual com tantas precariedades”. Segundo ela, a UERGS “só chegou até aqui pela dedicação e abnegação dos seus dedicados professores, que supriram as deficiências, algo que deveria ter sido feito por gestores da administração pública estadual”.
 
O secretário Fábio Branco, da pasta de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do governo do Estado disse que desde o primeiro dia da sua gestão vem reunindo-se sistematicamente com a reitora Ariza da Luz, “demonstrando nossa vontade política em relação à UERGS, importante ferramenta neste novo quadro de desenvolvimento sustentável que o governo Sartori trabalha para implantar”. Sobre o boatos quanto ao fechamento da entidade ou corte de gastos, afirmou que não trabalha com isso (boatos). “Mostramos aquilo que estamos fazendo, com seriedade e transparência. Muitas destas colocações (boatos) têm um outro interesse do que efetivamente construir ou colocar a verdade, às vezes por interesse pessoal ou por simples divergências”.
 
Informou ter recebido telefonemas da reitora sobre a veracidade das notícias. “Disse a ela que, se houvesso um grupo tratado desta questão UERGS eu seria o primeiro a faze parte e isso não acontece; e se estivesse participando diria com franqueza que seria contrário. Quando digo que é boato, é boato”, reforçou, destacando que a “nossa parceria é pela construção, por avanços. Mas não vou negar que existam dificuldades financeiras, aliás todos já sabem. Ajustes precisam ser feitos, ou teremos problemas ainda maiores no futuro, mas acontecerão de forma coerente e organizada. Trabalhamos com os pés no chão para isso”.
 
Dos integrantes da mesa de trabalhos, também falaram o deputado estadual Jeferson Fernandes (PT), e os federais Bohn Gass e Dionilso Marcon (PT); o professor Paulo Groff, da Associação dos Docentes da UERGS; o professor Amarildo Cenci, do Simpro/RS, e Carlos Leandro, representando os estudantes.